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sexta-feira, 8 de maio de 2015

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Pra não pensar bobagem...

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Homenagem a Portugal

Hoje, quero agradecer aos leitores de Portugal. É o país com a maior estatística de leitura deste blogue. Em uma singela homenagem a vocês, segue um lindo poema de uma autora que assina com o pseudônimo "Little Hut". Mil abraços aos portugueses!

"MINHA CIDADE É LISBOA"



Minha cidade é Lisboa.
Sou orgulhosa "alfacinha"
e lisboeta assumida.
Tenho orgulho em minha terra.
Minha cidade tão querida.

Subimos até lá acima,
ao alto do torreão
do Castelo de S. Jorge;
está Lisboa ali à mão.
Despida de preconceitos,
vestida só com o calor
do sol, do pai Portugal;
junto ao Tejo, seu amor.

É Lisboa feita em duas:
duas juntas numa só,
uma velha e outra nova.
Do alto do seu Castelo,
é fácil tirar a prova.

Os barcos subindo o Tejo.
A Sé, edifício velho.
Novo, o Shopping Amoreiras.
E este sol divinal,
torna as casas mais faceiras.

Do Miradouro da Graça,
vejo ruas estreitinhas;
e a Lisboa vélhinha
com edifícios de traça,
acho que ... Manuelina?

Eu não sou versada em traças;
já são coisas p´ra doutores.
Só quero descrever o orgulho
que tenho em ser portuguesa.
Lisboa dos meus amores!

Praça Marquês de Pombal,
Alameda Afonso Henriques,
a Basílica da Estrela,
mais as novas Avenidas
que comportam casas chiques.

Campo Grande e seu jardim
bonito, para lazer.
Lago e barcos p´ra remar.
Aqui chamamos 'gaivotas'
aos barcos de pedalar.

Adiante a Estufa Fria,
boa em tempo de calor,
p´ra visitar e aprender.
As mais variadas plantas
é sempre bom conhecer.

Na ponte, nos debruçamos,
da "25 de Abril".
Olhamos até à foz
do rio Tejo e abarcamos
toda a Costa do Estoril.

Mais perto, ali a dois passos,
é a Torre de Belém;
assinalando a partida
dos portugueses de antanho
à descoberta do "além".

"Jerónimos" rivalizam
com o Centro Cultural.
Enquadrados na paisagem,
mosteiro e edifício novo
não parecem nada mal.

Esqueci "Parque de Monsanto",
considerado o pulmão
da cidade de Lisboa.
Está menos vandalizado,
o que já é coisa boa.

Mas ... tudo tem um senão!

Quando Deus, p´ra distrair,
fez o mundo, disse Pedro:
-Oh! Deus! Mas há que convir
que tu fizeste borrada!
Tens países com excesso
de água, neve, frio, calor
e aí não falta nada?

Deixa, Pedro! Tu vais ver
o povo que eu lá vou pôr!

Na certa era Portugal!
É um jardim multicor.
Tudo bem equilibrado.
Temos um pouco de tudo
mas, "Zé Povinho" é danado!

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11/2000
laurabmartins@netvisao.pt

terça-feira, 22 de maio de 2012

A Cigarra e a Formiga

Desde Esopo, a fábula da cigarra e da formiga vem sendo contada e recontada, nas mais variadas versões.
Em La Fontaine, a fábula ganha uma grande difusão no Ocidente, e suas versões variam de acordo com o período histórico e com aquilo que o escritor quer denunciar ou apontar.
Na versão de Manoel de Barros, por exemplo, a formiga termina fazendo uma autocrítica sobre sua preocupação em amontoar coisas e não gastar tempo com outras coisas importantes também.
Hoje, quero compartilhar a minha versão de A Cigarra e a Formiga. Provavelmente, você perceberá as tendências de minha versão, e acho que não é para crianças...


A cigarra que ora cantara
Agora tem que rebolar
Chupa cana e assobia
Sapateia, late e mia
E ainda tem que batucar

Com isso o inverno chegou
E apesar de se esforçar
Foi posta no lado escuro
Do outro lado do muro
E tanta conta pra pagar

De novo a formiga malhou
E não precisou poupar
Tinha herança e grande umbigo
Nem quis se empenhar nos livros
E o mundo quis ganhar

E tem sido sempre assim
A cigarra a melhorar
A formiga herda a terra
Não se importa com a guerra
E não sabe o que é amar


Giselle Lourenço

terça-feira, 10 de abril de 2012

A Alma do Instrumento de Infância

por Giselle Lourenço (sobre seu violino)

Ele sempre esteve lá: tranqüilo, sereno, vermelho, ora fosco, ora brilhante, mas sempre esteve lá. Presente em meus sonhos, parecia uma extensão do meu braço esquerdo. O seu som era a extensão do Paraíso, às vezes ecoava aveludado, às vezes enternecia minha mente, outras vezes, malandro e com vontade própria, estardalhava meus ouvidos e num furor que só os belos astros podem ter, me beliscava a face com sua voz mais aguda a aquebrantar-se – era a corda arrebentando.
Hoje, ele ainda está lá. O lá era o sonho que agora é o aqui. Pude tocá-lo após a maturidade, maturidade talvez apenas de não ter dedos tão flexíveis como poderia quando criança e maturidade de ter que me dividir entre ele e outros astros não tão atraentes, não tão vermelhos, não tão foscos, não tão aveludados e não tão fascinantes, mas astros necessários para girar na órbita do chão meu de cada dia...
Hoje, ele fica quieto, repousa sereno, mas não admite não ser olhado e nem tocado. É orgulhoso e imponente demais pra não brilhar. Ele quer ser tocado sempre, e eu quero tocá-lo eternamente.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Poesia Chinesa

A poesia chinesa, assim como a arte da pintura chinesa, está imbuída de toda sua filosofia milenar, ou seja, a forma tradicional, mística e totalmente simples de ver o mundo e de apreender a essência das coisas - enxergar as coisas como elas realmente são. Geralmente, todo o pensamento chinês é intimamente ligado ao Tao, que num sentido mais literal quer dizer "Caminho", mas também quer dizer algo bem maior e ao mesmo tempo algo muito simples. A mística taoista consiste em ir ao cerne do objeto e de não separar observador e objeto: tudo é uno. O Tao é simples e é a partir dele que muitos poetas se inspiram para escreverem seus textos. Talvez, necessite, num outro momento, de uma maior explanação sobre a essência das coisas para ocidentais não iniciados na filosofia taoista, pois há relutância devido ao condicionamento histórico-cultural.
Importa saber que, para o poeta chinês, é quase unanimidade a descrição da afinidade pessoal com a natureza em suas poesias - essa seria a marca dos poetas taoistas.
Outra coisa interessante é que a métrica da poesia chinesa consiste, na maioria das vezes, por uma formação de seis a sete sílabas por verso - um poder de síntese inigualável, que daí podemos entrever aquilo que, anteriormente, referi como "o simples". O simples está em tudo na escrita chinesa! Para traduzir com lealdade esses versos de seis ou sete sílabas, seja para o inglês ou para o português, não gastaríamos menos que duas linhas, isso se o tradutor tiver um poder de síntese e concisão precisos! 
É comum funcionários atarefados utilizarem suas pausas para escrever suas poesias. Na poesia a seguir, algumas alegorias podem ser observadas com total significado embasado no pensamento chinês, como por exemplo "cortinas de névoa", que significam a percepção do vazio ilimitado.
"O crepúsculo descendo do ermo", provavelmente, alude ao horário do dia, em que, para o pensamento taoista, o anoitecer e a calmaria da madrugada é o momento em que a essência do universo encontra-se em maior união com a essência do corpo humano, momento mais propício para a pausa da meditação.
O silêncio citado no poema é condição à priori para a serenidade e esta, por sua vez, é a antessala para a iluminação interior. Segue a poesia:

Desmontado do cavalo,
O crepúsculo descendo no ermo, 
Ouço no silêncio
O murmúrio de um regato da montanha.
Pássaros cantam, pétalas caem;
Nenhum sinal de gente. 
A janela de minha cabana
Tem uma nuvem branca por cortina.

Ch`uan Tê-yu, descrevendo uma visita à montanha sagrada Mao Shan. Tradução para o inglês: John Blofeld.
Mais poesias taoistas podem ser encontradas em: BLOFELD, John. Taoismo, O Caminho Para a Imortalidade. Editora Pensamento, 1979.

sábado, 13 de novembro de 2010

A Literatura Enquanto Arte

"Isto não é um cachimbo" - René Magritte (1928)

Hoje, quero falar da Literatura enquanto um objeto de arte, com propriedades estéticas.
Recorrentemente, se vê por aí uma tentativa de aplicar obras literárias para a apreensão de valores e resultados pedagógicos; certamente que a Literatura pode abarcar esses recursos, mas ela em si, é uma arte e enquanto tal, não possui uma finalidade pragmática e deve ser respeitada em sua inútil utilidade do belo.
Por exemplo, é desrespeitoso por parte de alguns professores, utlilizarem-se de clássicos literários apenas para deles retirarem elementos gramaticais ou ainda, elementos para a formação psico-pedagógica.
E na Literatura enquanto arte, devemos deixar vir à tona a questão: o que qualifica uma obra como sendo arte? A concepção de arte de quem a criou ou o vislumbre do expectador? Penso que seja uma via de mão dupla. O que qualifica a arte é a concepção criadora e a mente/coração que a aprecia. É tudo um único movimento. E o é ainda mais na Literatura. De forma que, a Literatura enquanto área do saber específica, não deve ser compreendida como um retrato fiel da realidade e sim um universo de possibilidades que muitas vezes não possuem conexão alguma com a realidade.
Tratar das possibilidades irreais, atemporais e sobrenaturais é o que faz com que a Literatura tenha o poder de recriar o mundo e não seja reduzida apenas a subsídios para que você retire do texto o sujeito, o predicado ou o objeto qualquer de seu encargo.
            As possibilidades de imagens a partir de um texto e a possibilidade de sentido a partir de imagens é o que podemos denominar de signos. E é sobre essa “traição” das imagens que René Magritte quer falar na pintura “Isto não é um cachimbo”(1928). E note que até mesmo para falar em negação da imagem ou do que ela representa, estamos na dependência do conceito de percepção do outro, logo, a arte é uma via de mão dupla. É piano à quatro mãos.

Giselle Lourenço

sábado, 23 de outubro de 2010

O dia do Poeta

Da esquerda para a direita: Poeta Moraes - homenageado na Ciranda de Poesia, Giselle Lourenço, Poeta Braga Barros (membro da Academia Joseense de Letras) e Paulo Henrique

O dia do Poeta
Por Giselle Lourenço
O dia do poeta já passou. Foi ele no dia 20 de outubro. Mas que falo eu? Tamanho absurdo! O dia do poeta é hoje, foi ontem, será amanhã e daqui uns três dias, também será. O poeta tem seu dia todo dia. O poeta não conta o tempo, não conta o espaço, recria a vida, desata os nós dos sapatos, das gargantas, e desata nós. Desata-nos. Nos desata, nos desvela, nos revela. O poeta tem um rumo: é a linha do horizonte. Quanto mais anda, mais ao longe vê chegar seu destino de partida, mais de perto vê afastar sua chegada nessa vida. É assim, poetizando em despalavras, dez palavras, cinco ou duas. Quantas forem, só importa recriar o sentido e fazer sentir de novo. É a vida que não se esvai...
E no último dia 20, comemoramos o dia do Poeta em nossa Ciranda de Poesia. Foi uma festa que só a poesia pode promover. Foi a recriação da vida e todos se embebedaram de poesia. O homenageado da noite foi o Poeta Moraes – o dono do “Panfletário”, que há mais de vinte anos é distribuído pelas ruas de São José dos Campos. Sua marca: a poesia ácida, ardida. Bem politizado, o professor de história contou “causos” que transcendem a história. E no mais, é difícil explicar os propósitos de um poeta. Nas palavras do próprio Moraes, o poeta é aquele que trabalha com o que há de mais requintado na linguagem e que por isso, toca a vida com os cinco sentidos, num despertar incomum, pois a sociedade é anestesiada. E por isso, a importância do poeta: porque ele anuncia, denuncia, vê além. O poeta acorda o mundo. Os que gostam de submeter não gostam muito dos poetas, porque o poeta é alguém que retira da existência o sentido dela própria e desfaz a redoma que envolve o mundo no torpor da mediocridade.
Procurei um poema que pudesse expressar tudo isso em breves linhas, mas são tantos! Resolvi deixar aqui o escrito do xará de nosso mediador Braga Barros – um poema de Manoel Barros. Acho que os Barros são Barros porque podem remodelar o tempo todo...

O menino que carregava água na peneira

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.
A mãe disse que era o mesmo que
Catar espinhos na água
O mesmo que criar peixes no bolso.
(...)
Com o tempo aquele menino
Que era cismado e esquisito
Porque gostava de carregar água na peneira
Com o tempo descobriu que escrever seria o mesmo que carregar
água na peneira.
No escrever o menino viu
Que era capaz de ser
Noviça, monge ou mendigo
Ao mesmo tempo.
O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.
Foi capaz de interromper o voo de um pássaro
Botando ponto final na frase.
Foi capaz de modificar uma tarde botando chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!
A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou:
Meu filho vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda
Você vai encher os
vazios com as suas
Peraltagens
E algumas pessoas
vão te amar por seus
despropósitos.

- A Ciranda de Poesia acontece mensalmente na Cia Cultural Bola de Meia

domingo, 15 de agosto de 2010

A abrangência da arte


Não há espaço para a ortodoxia na arte.
Ou é arte, ou é forma.


A forma gera repetição,
a arte gera inspiração.


Da repetição nasce a imbecilidade,
da inspiração, a criatividade.


A imbecilidade favorece a autocracia,
a criatividade, a diplomacia.


A autocracia extermina a gente,
a diplomacia engrandece a mente.


A gente não pensou qual forma usar,
a mente desinformou o mundo, desenformou do absurdo,
formou a liberdade que mostrou a infinitude do que outrora era apenas doxo...


E assim vou eu, 
em forma, fora da forma, no exercício de pensar.
Sem repetir, sem anarquir,
Vou ifinitando, diferente daquilo que me falaram pra repetir...
- Giselle Lourenço



sábado, 10 de julho de 2010

Poesia autoral - Para Paulo...

Dizem que os poetas amam intensamente... Eu não sou diferente. Dedico este poema ao meu amor...


A poesia estava bem aqui
nuvens escuras levaram cada palavra
restou apenas uma:
chuva!

Traga teu céu,
pois o meu
já molhou o papel

Seu amor trouxe o sol
me esquentou, e o poema voltou

Flor de liz,
som de flauta
vou de giz
e sem pauta

Sou errante no seu coração
sei que nele qualquer caminho
só trará redenção

Mergulhei nas palavras e o amor me escolheu
seu sorriso é o céu que a vida me deu...

Giselle Lourenço

domingo, 4 de julho de 2010

O mau cheiro

Um poeta disse que a burguesia fede,
Outro poeta, que a pobreza fede,
E eu aqui, não sentindo cheiro algum
porque as mãos que governam o povo
insistem em tapar o meu nariz.

Que o mau cheiro venha libertar-me!
Pois prefiro sofrer cheirando
do que "cagar andando"...

Giselle Lourenço

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O imortal morre no final - Morre Saramago


Tem dias que o imortal morre. Tem infinitos em que o segundo dura muito.
Desconexos, versos órfãos, orientação para lugar algum.
Sem respiro, só suspiro, sem parar pra não estar.
No inverno, foi eterno, o não saber e sem falar.
Pelos ares, vão sem pares, rimas tortas, me embalar.
Foi assim pra todo aquele que de ler pôde olhar.
Versos postos, sem reforços, já foi lido o seu cantar.
Seus ensaios, sejam atos, o meu péssimo, seu melhor.
Posto isso, apenas morre, Saramago, o maior.

Giselle Lourenço

Morreu hoje, 18/06/2010, José Saramago, um dos maiores ícones da literatura portuguesa e um grande poeta, e como poeta não morre...

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Descobrindo a trama


Descobri a beleza do amor observando o ódio que há a minha volta; descobri a beleza da verdade observando a pequenez da mentira que nos envolve; descobri a beleza da lealdade observando a mediocriedade dos traidores; descobri a dignidade da criatividade observando a mesquinhez da imitação; descobri a importância da fidalguia e da elegância observando a falta de diplomacia que arrasta os pequenos do nada para lugar algum; descobri a sublimidade da poesia observando a inércia das almas letradas que não sabem escrever. (Giselle Lourenço)