sábado, 21 de novembro de 2015

Elementos Contemporâneos da Literatura Infantil

Este vídeo poderá interessar a pais e professores, escritores de obras infantis, mediadores de leitura, etc. Ressalto aqui, alguns elementos importantes da Literatura Infantil Contemporânea. 


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

FOGO MORTO, parte 2

FOGO MORTO, parte 2 (a parte 1 está no vídeo que gravei)

Hoje, acordei pensando no personagem Capitão Vitorino. Por que será? É uma mistura de Dom Quixote e Sancho Pança, justiceiro e, por vezes, ingênuo. Mas ele lutava contra todas as forças das quais o autoritarismo brotava: enfrentava o governo corrupto e também enfrentava o heroísmo hobinwoodiano dos cangaceiros. Ambas as forças usavam de tirania. Vitorino esbravejou contra qualquer potência que se valia do poder para oprimir e doutrinar. Enxergava o todo e a falácia das partes. Apanhou dos dois lados também. O que será de alguém que denuncia as mazelas políticas de todos os lados? Vitorino ganhou minha admiração por um tempo, até eu perceber que também ele aspirava ao poder político e que só por isso desvelava as armadilhas políticas e ideológicas de seus adversários. Perguntei-me então: onde estará um Vitorino que denuncie sem segundas intenções? Onde estará o justiceiro que desvele a tirania disfarçada de boa intenção por puro e simples princípio e amor ao conhecimento? Será que ele existe? Se eu sentar e esperar por ele, estarei como a maioria que espera um salvador da pátria ou um Dom Sebastião que banirá toda a maquinação política e toda a corrupção. Dom Sebastião não virá... O messias perdeu o trem. Apenas eu terei que dar conta de olhar o todo e enxergar as mazelas das partes. Mas como diria Edgar Morin, é essencial olhar o todo...

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Sobre a obra "Os Meninos Verdes"

Um pouco sobre a obra "Os Meninos Verdes", de Cora Coralina.

Obra: Sermão da Sexagésima


Um pouco sobre a obra de Padre Antônio Vieira, Sermão da Sexagésima.


quarta-feira, 16 de setembro de 2015

O Sebastianismo no Brasil

Essa semana, a OAB iniciou um seminário em São Paulo para debater as saídas para a crise. O lema que os magistrados e estudiosos do assunto adotaram vem ao encontro daquilo que eu sempre pretendi ser o mais digno: a sociedade civil pode e deve fazer algo. Esta é a proposta do seminário. Acompanhemos e façamos algo.
Há quem critique adeptos do sebastianismo, como o foi o próprio Fernando Pessoa em sua altíssima erudição. Esperar que um "Messias" político e soberano venha instaurar o reino da justiça e de paz em minha pátria à medida em que eu desenvolvo uma dependência dessa esperança e nada faça para contribuir com a mudança dos rumos da história política e social, de corrupção, pobreza, desigualdades, violência e tantos outros males que eu julgo ser relapso de quem está no poder é, no mínimo, pouca ética cível de minha parte. Tudo é culpa do governo, do Estado, e o governo que mude e que resolva aquilo que eu quero que seja resolvido! E se não resolve, que venha D. Sebastião, das cinzas reluzentes de sua áurea guerreira defender-me e destronar o intrépido reinante! E Sebastião, à essa altura, pode adquirir vários nomes, desses que são postos em bandeiras de partidos em épocas de campanhas políticas. 
Uma coisa é certa: nenhum desses possui o poder salvador de Sebastião, que até hoje está sendo esperado no purgatório lusitano. Estaremos nós, também, esperando pelo advento do justo soberano?
É difícil escolher um político. Quando me sinto mais irmanada com a terra que me acolheu, sinto pena de mim e de minha gente, num histórico político tão precário, com ausência de estadistas, com políticas que maquinam uma lógica de "o que fazer para manter-se no poder", e só. Avanços ou retrocessos nacionais são relativos, na medida em que me mantém com o cedro nas mãos. E pensar que o próximo imperador vai construir a utopia de Thomas More e varrer a corrupção para o incinerador é, no mínimo, uma debilidade mental.
Infelizmente, política mudou de concepção. Hoje, já se ensina que escrever "político corrupto" é pleonasmo dos mais antiestéticos. 
Ademais, lembremos uma passagem histórica muito significativa: quando a Companhia de Jesus foi expulsa do Brasil e de Portugal, o que estavam os jesuítas a fazer? Praticando seus deveres civis. Estavam denunciando a opressão do poder senhorial para com escravos, índios e camponeses. Hoje, vivemos em tempos mais amenos quanto a isso. Poderemos agir sem sermos expulsos ou exilados, embora alguns ainda queiram a brados retumbantes a Ditadura Militar... Mas uma coisa ainda é atual: o pleonasmo político. Quer ver? Já que falamos em jesuítas, vejam o que escreveu Padre Antônio Vieira há séculos atrás de nós:
"Não são só os ladrões, diz o Santo, os que cortam bolsas, ou espreitam os que se vão banhar para
lhes colher a roupa; os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem
os reis encomendam os exércitos, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais, já com manha, já com força, roubam e despojam os povos. Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos; os outros furtam debaixo do seu risco, estes sem temor nem perigo; os outros, se furtam, são enforcados; estes furtam e enforcam." 

Viu? É por isso que, no ritmo da OAB, temos que fazer algo e pensar em saídas para a crise ao invés de olhar pro céu e esperar a vinda de D. Sebastião ou seja lá de quem for...

Giselle Lourenço


domingo, 9 de agosto de 2015

SAL DA TERRA


Assisti ao documentário "Sal da Terra" sobre a biografia do fotógrafo social Sebastião Salgado. Jamais imaginei tão densa e profunda vivência oferecida pela história de vida deste homem. O documentário é conflitante. Parece ter provocado em mim os sentimentos opostos de lamento angustiante e esperança.
Como não me questionar? Como não questionar que sentido estou dando à minha vida e que norte estou tentando ser para meu pequeno mundo?
Eu era ainda muito moça quando vi, pela primeira vez, algumas fotografias de Sebastião. Contemplava-as nas paredes do corredor de um mosteiro jesuíta no interior do estado de São Paulo, onde passei boa parte de minha mocidade. Lembro que as fotos interpelavam-me. Estabeleciam diálogo. Nunca os olhos de uma Monalisa acompanharam-me mais do que os olhos daquela gente de Ruanda ou da Etiópia. Tinha dia que eu gostava do diálogo, não tinha medo. Outras vezes, fugia deles. Demorou um tempo para perceber o motivo da fuga. São espelhos... Colocam-nos em contato com o que há de pior em nós porque parecem perguntar o tempo todo o que fiz por aquele Cristo que ali estava, suplicante de água, comida, afeto, partilha e comunhão. Aquele Cristo que esperava que eu desse de comer o meu pão. 
Sal da terra me fez perceber que corremos o tempo todo atrás do paraíso perdido. Nascemos já nessa corrida contra o tempo atrás de algo que sabemos nos pertencer ou já ter pertencido. O problema é que corremos em direção a este paraíso sem olhar pro lado. Queremos chegar sozinhos ao paraíso. Na maioria das vezes, julgamos ser a ambição o melhor caminho, a balsa mais indicada para o paraíso. E tem sido assim. Pegamos carona com a ambição ansiando chegar à terra prometida. 
Tentei questionar em mim o que é pior: a impossibilidade da aquisição ou a ambição diante da impossibilidade. Percebi que somos ambiciosos mesmo quando nos julgamos os mais mocinhos da história. Quando nos orgulhamos de nossas caridades e boas intenções, elas estão sempre caminhando lado a lado com as nossas ambições mais sórdidas. Ambições que se regadas, cultivadas e praticadas, colocam em risco o ritmo do outro e a lógica da partilha e da comunhão para as quais nascemos. 
Refleti um pouco sobre o quão ferozes e cruéis nós podemos ser. Temos um talento nato para a crueldade e para a opressão. Esse é um dado antropológico e ontológico. A história é cíclica e em todas as eras, o que vemos são as guerras e o egoísmo se repetirem... Com esse nó na garganta, às vezes, emerge em mim uma vergonha da minha espécie. Vergonha de minhas ambições e das ambições de meus amigos. Perguntei-me que mundinho é esse que eu ando vivendo e que mundo eu gostaria de ajudar as pessoas a conhecerem. Para evoluir um pouco, nem é necessário ir tão longe quanto foi Sebastião. Um giro em trezentos e sessenta em torno de nós mesmos e já teremos matéria bruta suficiente para trabalhar. 
A parte boa da conversa é que há uma chance de sermos redimidos. Assim como Salgado nos mostra na prática o movimento inverso, o seu Projeto Gênesis - o que ainda resta de bom em toda a terra, e nos fala que é possível reverter, a cada dia, o quadro borrado. A saudade do paraíso não precisa ser só saudade, pode ser esperança também. Ter um olhar universal para tudo aquilo que é bom é o mote para acreditar no homem apesar dele. O homem ainda tem jeito. O convite de Salgado a perceber que somos um com a terra e com toda a vida que dela nasce ainda é o fio condutor para o destino menos infeliz que possamos ter. Afinal, somos nós o Sal da Terra!
A parte não muito boa da conversa é que não seria aconselhável assistir ao documentário com pipocas. Elas não descerão!


Será apresentado no dia 25 de agosto, às 19h na Sala de Leitura do Parque Vicentina Aranha em São José dos Campos. Foi indicado ao Oscar de melhor documentário em 2015 e eu recomendo muitíssimo.


sábado, 8 de agosto de 2015

Minha homenagem tarda mas chega...

Aproxima-se o "Dia dos Pais"... É uma data bonita, apesar de eu ser daquelas pessoas chatas que atribui datas assim apenas à felicidade dos comerciantes e de um brinde ao consumo que nos puxa a todos nós para o fundo de um poço sem que percebamos. Mas, ok, não vou vender miçangas na praia, apesar de ser de humanas. Voltemos aos pais. Saúdo o meu também. Mas aproveito o momento para falar da paternidade adotada por vias não burocráticas. Se quiser entender como paternidade espiritual também, fique à vontade. O fato é que eu não sei se todos são tão sortudos como eu. Eu pedi à vida que me concedesse o dom de enxergar qualquer ser humano que de mim se aproximasse como oferta de cuidado, ensinamento e valores. Tenho percebido que várias pessoas, no decorrer de minha história, fizeram parte de minha vida só pra isso. Agradeço por perceber... Ainda hoje, tenho encontros "gloriosos" com pessoas que, em tese, nem olhariam pra mim pela diferença de significância. Mas ainda sim, tenho feito amizades e afetos inimagináveis. Alguns, eu também chamaria de pais. E não precisam, necessariamente, ser com "idade de meu pai". Se você olhar bem ao redor, vai perceber quantas vezes alguém foi pai pra você independente de idade. 

Faço uma homenagem póstuma. Vasculhando meu baú de papeis e de memórias, encontro algumas cartas do Irmão Costa - um irmão jesuíta que muito colaborou para meu crescimento humano. Trocamos correspondências por um período considerável de tempo. Não imagino onde tenham ido parar as cartas que lhe enviei. Ele, agora, não precisa mais de cartas ou palavras para comunicar sentimentos. Até hoje, não sei se seu corpo encontra-se sepultado na cripta da capela da Ressurreição em Vila Kostka ou se está em Belo Horizonte. Mas enquanto em vida, sua graça e sua alegria rechearam meus dias de uma paternidade amiga. Ser pai pode ser isso também: dar atenção e oferecer amizade estando longe ou perto. Fica aqui registrada homenagem e saudade do querido Irmão Costinha, o jesuíta mais amável que conheci - e olha que conheci muitos.
A todos os pais e filhos, um bom dia dos pais e aos comerciantes, que as vendas não cresçam tanto, pois um país que atravessa uma crise como a nossa continuar se entregando a um desejo primário de consumo desenfreado chega a ser falta de caráter mesmo... Vamos escrever cartas de presente, que tal?

Giselle Lourenço